sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Ultima noite



Grande som.A batida faz com que as minhas pulsações aumentem . sinto as veias do corpo a pulsar e o coração a querer saltar cá pra fora. Porra não quero que esta noite acabe. Quero que se torne eterna. Bebo mais cerveja. O copo esta quase vazio. Vou acaba-lo. Apetece-me um cigarro. Salto pulo. Olho, reparo nela. Ela olha para mim também. Chega-se ao pé de mim. Pede lume. Digo-lhe que fumar faz mal. Ela sorri e aproxima-se mais de mim, coloca o seu cigarro apagado encostado ao meu que já esta aceso. Tem uns olhos verdes lindos. Pelo menos a mim parecem-me lindos tal é a pedrada com que estou. Ela para estar ali aquela hora da noite, deve estar um pouco na mesma situação que eu. Agradece e volta para o espaço dela. Aquele circulo com as marcas dos seus pés. E continua naquela dança repetitiva. Encosto-me à tenda, tenho os lábios secos, preciso de uma cerveja. Como será que ela se chama. Adoro a forma como dança. O vestido que tem vestido torna-se revelador. Ela sabe que a observo. Parece gostar. Preciso mesmo de uma cerveja. Afasto-me da tenda de dança. A barraca de cerveja é mesmo ali. Noto que estou a demorar mais tempo, desde a ultima vez que lá fui reabastecer. Os pés estão mais pesados e tenho dificuldade me me manter direito. De-me duas cervejas por favor- peço eu. A rapariga que esta servir imperiais diz-me que são três euros. Não a oiço mas, consigo ler-lhe os lábios. Pago. Agradeço e volto para a única tenda que ainda funciona ás 5 da manhã. Pode ser que a seguir aos cigarro lhe apeteça beber alguma coisa. Não a encontro. Dou mais uma volta por ali e quando dou por mim já acabei um dos copos que levo na mão. Acabo por beber o outro também.
A musica começa a abrandar, está a ficar em modo chill out. Apetece-me mais . Nesse preciso momento começa a chover. Uma chuva miudinha que trás os primeiros raios de sol. Recebo-os de braços abertos ate que a minha roupa fique colada ao corpo. Respiro fundo. Bebo o que resta do ultimo copo da noite. Dirijo-me para a tenda. Demoro uma eternidade para subir aquela rampa que outrora era de terra e agora se transformou em lama pegajosa. Podia ter ido por outro caminho, mas eu só conheço aquele caminho. Um som ecoa do meu lado esquerdo. Ao fundo corpos moribundos balançam ao som de uma musica madrugadora. Trance psicadélico. A mim parece-me bem. Misturo-me na pequena multidão de dou de cara com os olhos verdes. Tudo o que me parecia sensual na rapariga, tudo o que me parecia apetecível de experimentar com ela, desvaneceu-se. Agora parece uma moribunda, toda suja de lama nas pernas nuas. O vestido curto esta meio rasgado e o top igualmente sujo, dão-lhe um ar um pouco deprimente. Pede-me um cigarro. Digo-lhe que não tenho. Faz um ar de desagrado. Empurra-me sem forças. Viro costas e desperto do meu transe. Tenho de ir ter com o R . Apanho o comboio daqui a 2 horas de volta pra casa e tenho uma ressaca pra curtir.

Ultima noite de Vilar de mouros em dois mil e qualquer coisa

p.s.Já reparam bem no tempo que tem estado e a altura do ano em que estamos. Merda preciso de frio . Raios será que ninguem me ouve??
p.s.1 Okkervil River o album de 2007 The Stage names
p.s.2 Raios preciso de mais albuns de Leonard Cohen
p.s.3. Objectivo para o final do ano? Conseguir "roubar" o gira discos da minha mãe e coloca-lo no meu quarto
p.s.4 já há muito tempo que não envio aqui cumprimentos aos meus bonitos leitores. Fica para amanhã. Agora tenho sono.
p.s.5 E a seleccão amanha perdia. A nossa sociedade suicidava-se e eu ia viver para uma serra bonita.

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